O Vaticano é uma cidade-estado e o menor Estado independente do mundo,
encravado na zona norte de Roma. Deve a sua existência ao fato de ser a
residência oficial do Papa e de ser a sede da Igreja Católica e também da
Igreja Católica de Rito Latino, a maior e a mais conhecida e numerosa das 23
Igrejas sui juris que constituem a Igreja Católica. A Santa Sé (Latim:
Sancta Sedes), ou Sé Apostólica, do ponto de vista legal, é distinta do
Vaticano, ou mais precisamente do Estado da Cidade do Vaticano.
História
O primeiro Papa que viveu no Vaticano foi o Papa Simaco em 498. Papas
sucessores gradualmente estenderam o seu controle e governaram grande parte da
península italiana até 1861, quando a Itália foi unificada. As atuais
fronteiras e soberania do Vaticano foram estabelecidas em 1929, quando um
acordo que originou o Tratado de Latrão foi assinado entre Mussolini e o Papa
Pio XI.
A residência do Papa também forma o território da Santa Sé, a autoridade
central da igreja católica romana. Com sua significação simbólica e religiosa,
a Santa Sé tem uma considerável influência política. O pontificado encontrou-se
vacante depois da morte do Papa João Paulo II em 2 de abril de 2005. O
conclave se reuniu no dia 18 de abril para realizar a eleição papal. O escolhido foi o alemão Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI.
A cidade tem uma enorme importância cultural, pois é o lugar onde estão
algumas das melhores obras de arquitetura e arte, visitadas por peregrinos
cristãos ou não-cristãos.

A Santa Sé
A Santa Sé é a jurisdição eclesiástica do Papa e forma o “governo central”
da igreja. Contrariando a crença popular, é a Santa Sé e não o Vaticano quem
entra em acordos internacionais e recebe e envia representantes diplomáticos.
A Santa Sé tem relações formais diplomáticas com 174 nações, é observadora
permanente nas Nações Unidas e é especialmente ativa em organizações
internacionais.
Como Pontífice da Santa Sé, o ex-Papa João Paulo II exerceu uma influência
considerável, que pôde ser notada no seu funeral que atraiu mais de 4 milhões
de pessoas, incluindo líderes mundiais como o secretário mundial das Nações
Unidas Kofi Annan e o Presidente dos Estados Unidos George W. Bush.

Construindo o Vaticano
No século I, a imperatriz Agripina secou o pântano do vale e criou seu
jardim imperial. Mas, rapidamente, o Imperador Nero o transformou em um circo
romano onde eram realizadas corridas de carruagens – é provavelmente aqui que
São Pedro e outros cristãos foram martirizados.
Somente em 315, durante o reinado do Imperador Constantino, a Basílica foi
construída no lugar do túmulo de São Pedro. No século XV, ela estava em ruínas,
e o Papa Júlio II colocou a primeira pedra da nova igreja. A Basílica foi
finalizada 120 anos depois, e todos os grandes arquitetos do Renascimento, de
Bramante a Maderno, ajudaram a desenhá-la.
Os muros de proteção que cercam a cidade foram construídos Pelo Papa Leão
IV em 846. O palácio do Vaticano, construído no século XII, se tornou a
residência oficial dos Papas depois que o Papado voltou de Avignon em 1377.
Havendo voltado do exílio, os Papas transformaram o Vaticano em um centro de
cultura durante o alto renascimento, encomendando trabalhos de artistas como
Da Vinci, Rafael e Ticiano.

Eventos na Cidade do Vaticano
As audiências papais, o momento mais popular para visitar a cidade, são
ministradas pelo Papa todas as quartas-feiras de manhã. Também na missa do
domingo, em datas que comemoram celebrações religiosas, o Papa faz audiências
na varanda que fica sobre a Praça de São Pedro, de onde se dirige à multidão e
a abençoa.
O funeral do Papa João Paulo II durou seis dias e foi um evento memorável.
Rituais de centenas de anos foram realizados neste funeral: esmagar o Anel de
Pescador, a procissão do Palácio Apostólico através da Praça de São Pedro, a
Missa pelo descanso do Papa, o Cerimônia da visitação, a Missa de Réquiem e o
enterro. O funeral se transformou na maior peregrinação da história do
cristianismo, atraindo mais de quatro milhões de pessoas à cidade do Vaticano,
incluindo reis, presidentes e líderes religiosos.
Os Cardeais se prepararam para o conclave secreto cheio de rituais,
iniciado no dia 18 de abril, a fim de eleger o Papa 265. O anúncio do novo
Papa foi seguido de uma grande procissão e da coroação.

Poderes do Papa
Como cada Papa é o sucessor de São Pedro, o status e autoridade de um Papa
originam-se do poder que Cristo concedeu a Pedro. Uma grande quantidade dos
poderes papais se deriva da garantia que Pedro recebeu na hora que Cristo o
escolheu para liderar a sua igreja.
Os poderes do Papa foram aumentados pelo primeiro Conselho Vaticano em
1870, quando 433 bispos aprovaram um decreto de infalibilidade papal na
Constituição Dogmática da Igreja de Cristo. Este decreto declara que o Papa é
infalível em material de fé e moral.

Fatos e Figuras
Até hoje existiram 264 Papas. 81 são reconhecidos como santos e 9 como
abençoados. Dos primeiros 32 Papas, 28 foram mártires. 10 Papas tiveram
mortes violentas. Pelo menos 14 Papas abdicaram ou foram destituídos.
A grande maioria dos Papas foi italiana ou de origem romana. O menor
reinado foi o do Papa Estevão II, que morreu quatro dias após a sua eleição.
O maior foi o de Pio IX, que liderou a Santa Sé por 32 anos. O mais novo foi
João II, eleito com aproximadamente 18 anos de idade. O mais velho Gregório IX
viveu mais de 14 anos após a sua eleição, até os 86 anos de idade.
Os Papas costumavam manter seus próprios nomes após a eleição. A tradição
de escolher um novo nome começou quando o padre romano Mercúrio assumiu o nome
de João II, em 533, para que a igreja não tivesse um Papa com o nome de um
deus pagão.

Elegendo um novo Papa
A Praça de São Pedro (Piazza San Pietro)
A imensa praça elíptica, uma das maiores do mundo, está feita de quatro
fileiras, com um total de 284 majestosas colunas dóricas. No centro da praça,
há um obelisco egípcio do antigo circo de Nero rodeado por fontes do século
XVII.
Bernini criou uma entrada triunfal para que os fiéis fossem abraçados pelos
“braços maternais da igreja” à medida que se aproximassem. Uma vez dentro da
praça, as colunas dóricas se convertem em um cerco para os fiéis e em um palco
para procissões e outros eventos sagrados da igreja católica.
A Basílica de São Pedro (Basilica di San Pietro)
A idéia da reconstrução da Basílica original data do século V, mas a
reconstrução completa só começou quando Júlio II contratou Donato Bramante.
A nova Basílica levou mais de 150 anos para ser finalizada e já para essa
data todos os grandes arquitetos do renascimento (Raphael, Bernini, Giacamo
della Porta e Maderno) haviam contribuído para o seu desenho. Mas o mérito da
Basílica de São Pedro deve-se muito a Michelangelo, responsável pelo desenho
da cúpula.
A maior Basílica do mundo tem monumentos, estátuas, mosaicos e esculturas
em relevo. O mais famoso tesouro artístico é talvez A Pietà de Michelangelo, a
magnífica e emocionante escultura em que Maria carrega Cristo morto.

Os Museus do Vaticano (Musei Vaticani)
Os famosos Museus do Vaticano consistem em mais de mil quartos e galerias
com tesouros de arte de todas as épocas e de valor incalculável. A
surpreendente coleção inclui obras do antigo Egito, Grécia, Roma e do
Renascimento - com esculturas, pinturas, tecidos, entre outras preciosidades.
O primeiro dos Museus do Vaticano, o Museu Pio-Clementino, abriga os
trabalhos de gregos e da arte romana, como a grandiosa escultura em bronze
“Apollo Belvedere”.
Mas a estrela é a espetacular pintura de Michelangelo no teto da Capela
Sistina representando as nove cenas do livro do Gênesis, incluindo “A criação
de Adão”. Na parede em frente, podemos ver outro grande trabalho do artista:
“O Ultimo julgamento”.
As pinturas nas paredes incluem trabalhos de outros artistas renascentistas
como “A tentação de Cristo” de Boticelli e a ”Limpeza dos leprosos”.

PAPA BENTO XVI
O Conclave chegou ao fim e um novo Papa foi eleito. O cardeal Joseph
Ratzinger será conhecido como Papa Benedito XVI, sucessor 265 de São Pedro.
Como manda a tradição, a eleição foi anunciada com a conhecida fumaça branca
seguida pelas badaladas dos sinos de São Pedro.
Joseph Ratzinger, nascido na Alemanha, não só foi eleito no primeiro
Conclave do século XX mas também no mais numeroso, com a participação de 115
cardeais provenientes de 52 países.
Com esta eleição, começa um novo capítulo na história da igreja católica.